Susana Viseu

Presidente de Direção da BUSINESS as NATURE
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Comemora-se, hoje, dia 8 de Maio, o primeiro aniversário da constituição da BUSINESS as NATURE, iniciativa que surge da vontade de um grupo de mulheres em participar ativamente no processo de transição da nossa sociedade para uma economia circular e de baixo carbono, no qual as mulheres assumem um papel na primeira linha, promovendo a sua capacidade de liderança e o seu empoderamento, contribuindo para a sensibilização e envolvimento das famílias, das organizações e da comunidade, na antecipação, preparação e resposta aos impactos das alterações climáticas e da destruição de recursos naturais, biodiversidade e equilíbrio dos ecossistemas.

Foi um ano de arranque, no qual, o empenho da equipa da direção, órgãos sociais, conselho estratégico, coordenadores das “Iniciativas Sustentáveis BasN”, bem como a adesão dos nossos associados, foram fundamentais para reforçar a nossa determinação e energia, de modo a atingir os nossos objetivos e honrarmos a confiança em nós depositada. A todos vós e como se diz na nossa Serra da Estrela, onde se encontra a nossa sede, bem hajam!

Manteremos o nosso compromisso de procurarmos, sempre, fazer mais e melhor e de vos envolver em projetos que se traduzam numa real mais valia na construção de caminhos para uma prosperidade sustentável, num legado mais justo para os que nos procedem, que nos permita realizar enquanto seres humanos, dentro dos limites ecológicos de um planeta finito.

Que saibamos, sempre, em conjunto, conhecer, pensar, mobilizar, criar e realizar, estimulando em todos nós, uma nova cidadania, numa efetiva participação na vida em sociedade, com uma sensação de identificação e pertença, expressa neste projeto de todos nós, que é a BUSINESS as NATURE.

Este novo ano de atividade inicia-se num contexto de enorme incerteza que nos coloca, individualmente, e enquanto comunidade, desafios acrescidos.

A crise pandémica, seguida de uma crise económica e social a nível mundial, de impacto ainda difícil de dimensionar, coloca-nos uma (entre muitas) interrogações: Ficarão para segundo plano as questões da emergência climática e da imperiosa limitação de um crescimento infinito num planeta finito? ACREDITO QUE NÃO.

Os momentos de crise são oportunidades únicas para investir e persistir na mudança. Para ir além do pensamento de curto prazo, para reinventar, agora, novos modelos e implementar políticas que assentem o relançamento da economia, na efetivação de uma economia circular e de baixo carbono, que garanta uma adequada gestão de recursos, incentive o reforço de negócios locais e do aproveitamento dos recursos endógenos, e de uma sociedade com um novo respeito pelo indivíduo e pela interiorização que a nossa qualidade de vida assenta na saúde e na felicidade das nossas famílias, na força dos nossos relacionamentos, na confiança na comunidade, na satisfação que tiramos do trabalho e na sensação de partilharmos objetivos e esperanças tantas vezes comuns, no respeito pela múltipla diversidade do indivíduo.

Embora a tentação para atender às necessidades imediatas e ao possível retrocesso, de alguns indicadores como sejam as taxas de reciclagem e reutilização e da potencial tendência de redução da preocupação por um consumo mais sustentável, face às dificuldades económicas sentidas pelas empresas e pelas famílias. Acredito que, rapidamente, e com as adequadas políticas e incentivos públicos, saia reforçada a importância de minimizar o desperdício, de reciclar e reutilizar, assegurando as adequadas condições de saúde publica, que aumente a economia de partilha e de trabalho em casa, a par de uma crescente digitalização da economia e dos processos de compra on-line , minimizando deslocações, conduzindo e uma redução de emissões e a um restabelecimento gradual do equilíbrio dos ecossistemas.

Será que podemos aprender alguma coisa com esta crise do COVID-19 para a resposta e mitigação à crise ambiental (climática, de destruição maciça de recursos e ecossistemas, de aumento do desperdício e da poluição)? JULGO QUE SIM. Esta crise mostrou-nos, claramente, alguns aspetos que não devemos desprezar, relativos à importância da mitigação do risco e da real afetação da vida humana por fatores “naturais”, cujo controlo do desequilíbrio obriga a medidas de contenção e reação extremas, de efeitos devastadores. É importante reter algumas lições e aproveitar para suportar algumas das medidas há muito identificadas, numa urgência repetidamente adiada.

Mostrou-nos que o passado e o presente se interligam. Que as nossas continuadas tentativas para racionalizar a vida do planeta, de depredação de recursos e de adulteração da Terra, se inferem numa lógica contrária de controlo da natureza pelo ser humano. Várias ideologias, mesmo aquelas que ainda se expressam no nosso quotidiano, nunca tiveram devidamente em atenção esta realidade. O ser humano era dono do mundo. Mais prudente, realista e sobretudo correto, seria considerar a relação entre o humano e a natureza como algo em permanente construção, respeitando ambas as dignidades.

O vírus, que nos atemoriza, é um produto da natureza e, porventura, o seu desenvolvimento e expansão situaram-se exatamente numa plataforma de desequilíbrio dos ecossistemas e do não pleno entendimento entre os seus agentes.

Assim, no estabelecer de paralelos na resposta a estas duas crises (pandémica e ambiental) há duas lições relevantes a reter:

  1. As evidências científicas são relevantes e devem, atempadamente, ser tomadas seriamente, não desvalorizando o potencial risco, atrasando a resposta à crise e a implementação de medidas de proteção e contenção, que se revelam posteriormente fundamentais para a escalada exponencial do problema, cujo atraso pode, igualmente, tornar a situação cada vez mais difícil de gerir e reverter no futuro.
  2. Que o vírus, tal como a crise ambiental, é transnacional, e o seu combate e resposta tem de ser global, exigindo uma coordenação forte e determinada, na implementação de políticas e ações concertadas.

Mais uma vez este “presente” testemunha quão inovador, mas necessário, é o caminho que temos de trilhar.

Não se trata de reinventar a história e os comportamentos humanos, mas antes de recriar uma relação de simbiose, em que o humano respeita, integralmente, a natureza.

Que todos saibamos contribuir com a nossa parte. A BUSINESS as NATURE continuará a procurar, com todos vós, que estes tempos, sejam os tempos, de um novo e mais sustentável recomeço.